terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alimentação cerebral


Você já sabe que uma dieta equilibrada para a saúde, seja para manter uma pele bonita e jovem, seja para o bem do coração, ou para buscar uma vida longa. Mas você tem ideia do impacto que sua alimentação tem sobre o seu cérebro?

Para começar do básico: considere que tudo o que compõe o seu cérebro vem da sua alimentação: proteínas, carboidratos, as gorduras que constituem a membrana das células e da bainha de mielina, os sais minerais que participam do equilíbrio elétrico das células e dos sinais nervosos, as vitaminas que mantêm as células vivas. Para manter o cérebro (e o resto do corpo) saudável, é preciso portanto ter uma alimentação saudável: diversificada e equilibrada.

Pesquisas recentes têm demonstrado os efeitos (positivos e negativos) de substâncias presentes nos alimentos sobre o sistema nervoso. Os dados a seguir mostram o papel conhecido de algumas dessas substâncias no organismo, as consequências da sua deficiência, e os efeitos da suplementação.

Lembre, contudo, que suplementação não é necessariamente sinônimo de benefícios: o importante é ter quantidades adequadas de nutrientes disponíveis para o corpo. Para você ter uma ideia, o ferro, disponível em vários suplementos, precisa ser regulado cuidadosamente pelo organismo: se a deficiência causa anemia profunda, o excesso pode até levar à morte, se o corpo não conseguir eliminá-lo.

Como você vê, grandes quantidades de uma coisa boa podem ser mais danosas até do que sua deficiência. Quem mantem uma dieta balanceada e diversificada já ingere as quantidades necessárias dos nutrientes importantes para um funcionamento saudável de corpo e cérebro.

Os dados apresentados a seguir não devem ser utilizados como base para a montagem de uma dieta sem orientação de um nutricionista. Se você quer tratar bem do seu cérebro, preocupe-se em ter uma alimentação balanceada, praticar exercícios regularmente - e, sobretudo, em usar o seu cérebro! (SAC, jun 2009)





Ômega-3
Fontes: Peixes (sobretudo salmão), krill, sementes de linhaça, kiwi, sálvia, nozes, noz-branca americana.

Função: Manutenção das funções sinápticas e plasticidade em roedores. É componente estrutural das membranas celulares e da mielina.

Deficiência: Em roedores, causa problemas de memória e aprendizado. Em humanos, a deficiência em ômega-3 parece estar associada a um aumento do risco de vários distúrbios mentais, incluindo distúrbio de déficit de atenção, dislexia, demência, depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia.

Suplementação: Eleva níveis de BDNF no hipocampo e melhora funções cognitivas em roedores com trauma encefálico. Alguns estudos mostraram que a suplementação com ômega-3 está associada a uma redução de déficits cognitivos (em leitura, em soletração, etc) em crianças afetadas por distúrbio de desenvolvimento de coordenação.



Curcumina
Fontes: Açafrão da terra, Cúrcuma ou Turmérico (curry).

Atuação: Tem efeitos inibitórios sobre enzimas metabólicas.A curcumina contém uma mistura de antioxidantes fitonutrientes fortes, conhecidos como os curcuminóides, que tem sido descritos como tendo propriedades anti inflamatórias.

Suplementação: Diminuição de déficit cognitivo em modelos animais de Doença de Alzheimer e em roedores com trauma encefálico.



Flavonóides
Fontes: Cacau, chá verde, ginseng, frutas cítricas, vinho (especialmente tinto), chocolate amargo.

Função: Anti-oxidantes, com um papel fundamental na proteção contra agentes oxidantes.

Suplementação: Aumento cognitivo em combinação com exercícios, em roedores. Melhora das funções cognitivas em idosos.



Gorduras Saturadas
Fontes: Manteiga, ghee, sebo, toucinho, óleo de côco, óleo de semente de algodão, laticínios, carne, óleo de semente de palmeira.

Função: As gorduras de origem vegetal e animal propiciam uma fonte concentrada de energia. Elas também fornecem os lipídios formadores das membranas das células, além de uma variedade de hormônios e substâncias assemelhadas, e auxiliam na absorção das vitaminas A, D, E, e K. As gorduras da dieta alimentar são necessárias para converter caroteno em vitamina A, para absorção de minerais e para uma gama de outros processos.

Porém, as gorduras saturadas são as principais responsáveis pela aterosclerose. Elevam o nível de produção de LDL, o que gera placas de ateroma e aumenta as chances de acontecer ataque cardíaco e derrame cerebral.

Suplementação: Associada ao déficit cognitivo em roedores adultos. Danos cognitivos agravados após trauma encefálico, em roedores. Exacerbação do déficit cognitivo em idosos.

Efeitos colaterais da suplementação: Dietas ricas em gorduras saturadas aumentam o risco de disfunções neurológicas tanto em humanos como em animais, além de diminuir a plasticidade sináptica no hipocampo.



Vitaminas do complexo B
Fontes: Várias fontes naturais. Vitamina B12 não está disponível em produtos derivados de plantas.

Função: O complexo B é um conjunto de oito vitaminas hidrossolúveis com importante ação no metabolismo celular.

Deficiência: Folato: pode levar a distúrbios neurológicos como depressão e danos cognitivos.

Suplementação: Folato: por si só, ou juntamente com outras vitaminas do complexo B, é eficaz na prevenção de déficit cognitivo e demência durante o envelhecimento, além de potencializar os efeitos dos antidepressivos. Vitamina B12 melhora danos cognitivos em ratos alimentados com dieta deficiente em colina. Suplementação com vitamina B6, B12 ou folato tem efeitos positivos na memória em mulheres de várias idades.

Efeitos colaterais da suplementação: Folato: anemia, baixa função imunológica e câncer.



Vitamina D
Fontes: Fígado de peixe, peixes gordurosos, cogumelos, produtos fortificados, leite, leite de soja, cereais em grãos.

Funções: É uma vitamina lipossolúvel obtida a partir do colesterol (seu precursor metabólico) através da luz do sol, e de fontes dietéticas. Funcionalmente, a vitamina D atua como um hormônio que mantém as concentrações de cálcio e fósforo no sangue através do aumento ou diminuição da absorção desses minerais no intestino delgado.

Deficiência: A carência de vitamina D provoca, nas crianças, o raquitismo e nos adultos a osteomalácia (amolecimento dos ossos). Nos idosos leva à osteoporose.

Suplementação: Importante na preservação da cognição em idosos.

Efeitos colaterais da suplementação: O consumo de altas doses (10 vezes o valor diário recomendado) por vários meses pode causar toxicidade, resultando em nível alto de cálcio no sangue. Pode ocorrer depósito de cálcio pelo organismo, principalmente no rim.



Vitamina E
Fontes: Aspargos, abacate, nozes, amendoim, azeitonas, óleo de palmeira laca vermelha, sementes, espinafre, óleos vegetais e gérmem de trigo.

Função: Protege a integridade celular e prolonga-lhes a vida. A sua ação antioxidante neutraliza os efeitos nocivos dos radicais livres provenientes da contaminação química e atividade do organismo, e potencializa fortemente a ação de outros antioxidantes, como a vitamina C e vitamina A.

Deficiência: É geralmente caracterizada por problemas neurológicos devido à condução nervosa prejudicada.

Suplementação: Diminuição dos danos cognitivos após trauma encefálico em roedores. Reduz o declínio cognitivo em idosos. Existem evidências discretas de que altas doses de Vitamina E associadas ao Ginko biloba tornariam a progressão da Doença de Alzheimer mais lenta.

Efeitos colaterais da suplementação: Pesquisas realizadas revelaram que há um aumento significativo de acidentes vasculares cerebrais em fumantes que recebem altas doses de Vitamina A e E.



Colina
Fontes: Gema de ovos, carne de soja, frango, vitela, fígado de peru, alface.

Função: Trata-se de uma amina natural encontrada nos lipídios presentes na membrana celular e no neurotransmissor acetilcolina. É de grande importância durante a gravidez para a formação do tecido cerebral.

Deficiência: Provoca acúmulo de gorduras no fígado, cirrose, aumento na incidência de câncer de fígado, lesões hemorrágicas dos rins e falta de coordenação motora.

Suplementação: Redução dos danos de memória induzidos por epilepsia, em roedores. Uma revisão da literatura revela evidências de uma casual relação entre colina na dieta e cognição em humanos e ratos.



Combinação de vitaminas
Fontes: Vitamina C: frutas cítricas, várias plantas e vegetais, fígado de boi e bezerro. Vitamina E: veja acima.

Função: As vitaminas são moléculas orgânicas (contendo carbono) que funcionam principalmente como catalisadores para reações enzimáticas dentro do organismo.

Deficiência: A manifestação principal da carência de ácido fólico é a alta incidência de crianças com malformações congênitas do sistema nervoso nascidas de mães que foram carentes em ácido fólico no início da gravidez. A carência de ácido fólico, junto com a carência de vitamina B12, pode levar as pessoas a sentirem vertigens, cansaço, perda de memória, alucinações e fraqueza muscular. Efeitos da carência de vitamina A no Sistema Nervoso: alterações do olfato, do paladar e da audição podem ocorrer. Lesões de nervos e aumento na produção de líquor com conseqüente hidrocefalia têm sido relatados.

Suplementação: Ingestão de vitaminas antioxidantes atrasa o declínio cognitivo em idosos.



Cálcio, Zinco, Selênio
Fontes: Cálcio: leite, coral. Zinco: ostras, algumas variedades de feijão, nozes, amêndoas, grãos inteiros, sementes de girassol. Selênio: nozes (castanha do Pará especialmente), cereais, carne, peixe, ovos.

Função: Cálcio: possui funções importantes como atuar na formação estrutural dos ossos e dos dentes. Além disso, ele atua juntamente com a vitamina K no sistema circulatório, auxiliando na coagulação do sangue. Age na sinalização intracelular, na transmissão sináptica, na contração muscular e cardíaca, na ação de hormônios. Zinco: Participa na divisão celular, na expressão gênica, em processos fisiológicos como crescimento e desenvolvimento, na morte celular; age como estabilizador de estruturas de membranas e componentes celulares, além de participar da função imune e desenvolvimento cognitivo. Atuando com a vitamina E ele protege as células do organismo contra danos oxidativos, especialmente retardando a oxidação do colesterol LDL; apresenta ação inibidora do efeito tóxico de metais pesados As, Cd, Hg e Sn. No caso de doenças crônicas como a arteriosclerose, câncer, artrite, cirrose e enfisema, há fortes indícios de que ele atue como elemento protetor. O selênio retarda o envelhecimento, combate a tensão pré-menstrual, preserva a elasticidade dos tecidos, previne o câncer e neutraliza radicais livres.

Deficiência: Estudos indicam que pessoas que tem carência do mineral Selênio têm tendência a ter sintomas depressivos, como ansiedade, nervosismo e confusão mental. Um baixo nível de selênio ao longo da vida está associado com baixa função cognitiva em humanos. Na deficiência leve de zinco podem ocorrer alterações neurossensoriais. A deficiência moderada de zinco é agravada pelo desenvolvimento de letargia mental e diminuição acentuada do apetite. Redução de zinco na dieta pode ajudar a reduzir déficit cognitivo em idosos.

Efeitos colaterais da suplementação: Altos níveis de cálcio sérico estão associados com rápido déficit cognitivo em idosos. O excesso de cálcio também pode causar cãimbras. O excesso de selênio é tóxico e pode levar à morte. O excesso de zinco no corpo, como de outros metais pesados, causa distúrbios neurológicos.



Cobre
Fontes: Ostras, fígado de boi e carneiro, castanha-do-pará, melaço, cacau, pimenta preta.

Função: Parceiro do zinco, ele também compõem a enzima que combate os radicais livres, além de transportar o ferro.

Deficiência: Déficit cognitivo em pacientes com Doença de Alzheimer está correlacionado com baixa concentração de cobre no plasma.

Suplementação: Estudos realizados com pacientes de Doença da Alzheimer, que foram tratados ou com suplementação de cobre ou com placebo, foram submetidos a diversos testes de memória durante um ano. Ao final desse período, os indivíduos com menor taxa de cobre no sangue apresentavam mais falhas. Experiências com ratos mostratam que uma concentração elevada do mineral ajuda a reduzir placas presentes no cérebro que são relacionadas com a doença. Não há comprovação de que de o cobre ajuda a reverter os danos causados pela doença, mas sabe-se que ele influi na funções cognitivas.

Efeitos colaterais da suplementação: a suplementação com  cobre é problemática devido a seu grande potencial como gerador de radicais livres, e por sua relação direta com esquizofrenia e distúrbios psiquiátricos. Só um mineralograma pode justificar a sua administração quando se detecta severa deficiência. A suplementação excessiva de cobre pode baixar o nível de zinco e produzir insônia, perda de cabelos, menstruação irregular e depressão. O excesso de cobre no organismo, como o excesso de qualquer outro metal pesado, é tóxico e causa distúrbios neurológicos.



Ferro
Fontes: Carne vermelha, peixe, aves, lentilha, feijão.

Função: O ferro participa da síntese de proteínas, do transporte de oxigênio e da renovação celular.

Deficiência: Deficiência de ferro pode causar anemia, com sonolência e cansaço persistentes. Em grávidas a deficiência pode causar hemorragias e baixo peso do bebê ao nascer, entre outros efeitos.

Suplementação: Tratamento com ferro normaliza funções cognitivas em mulheres jovens.

Efeitos colaterais da suplementação: O excesso de ferro pode ser letal a pessoas portadoras de hemocromatose, cujo corpo tem dificuldade de regular a absorção de ferro e portanto não consegue eliminar o ferro ingerido em excesso.



Calorias
Fontes: Grandes quantidades em “junk food”.

Função: Calorias não são nutrientes, e sim uma medida da energia que esses fornecem para o metabolismo humano.

Deficiência: A restrição calórica eleva os níveis de BDNF. E também leva a diminuição de déficits motores e cognitivos que são associados ao envelhecimento.

Suplementação: A suplementação calórica gera desregulação hipotalâmica, levando a pessoa a continuar comer mais do que necessita, causando obesidade. O excesso de comida pode provocar um estímulo das células do sistema imunológico a atacar invasores inexistentes e com isso provocar inflamações crônicas no organismo.

Efeitos colaterais da suplementação: Além da obesidade e dos riscos associados a ela, o excesso de calorias pode reduzir a plasticidade sináptica e aumentar a vulnerabilidade das células a se danificarem pela formação de radicais livres.



Ácido Alfa-lipóico
Fontes: Carnes como fígado, rins e coração, e vegetais como espinafre, brócolis e batata.

Função: Atua como co-fator de inúmeras enzimas envolvidas na produção de energia, possui propriedades antioxidantes, combatendo os radicais livres e protegendo as células da oxidação. Além de combater os radicais livres, ele regenera os tecidos lesados.

Suplementação: Aumenta o fluxo sanguíneo para os nervos e melhora a condução dos impulsos nervosos. Melhora déficits de memória em modelos animais de Doença de Alzheimer e mostrou reduzir déficits cognitivos em pequenos grupos de pacientes com Doença de Alzheimer. É utilizada no tratamento de lesões neurológicas, inclusive a neuropatia diabética, uma complicação tardia do diabete que provoca dor e perda da sensibilidade nos membros.





Referências:

Fernando Gómez-Pinilla(2008) Brain foods: the effects of the nutrients on brain function. Nature Reviews 9, 568-578.

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira63/noticias/rep3.html

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?508

http://br.monografias.com/trabalhos2/papel-zinco-infancia/papel-zinco-infancia2.shtml

http://decs.bvs.br/cgi-bin/wxis1660.exe/decsserver/?IsisScript=../cgi-bin/decsserver/decsserver.xis&task=exact_term&previous_page=homepage&interface_language=p&search_language=p&search_exp=curcumina

http://pt.wikipedia.org/wiki/Curcumina

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gordura_saturada

http://saude.hsw.uol.com.br/vitaminas-b.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_B

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vitamina_D

http://www.emedix.com.br/vit/vit003_1f_vitaminad.php

http://www.copacabanarunners.net/vitamina-e.html

http://www.nutricaoativa.com.br/conteudo.php?id=104

http://www.melnex.net/gordura.doc

http://www.todabiologia.com/saude/calcio.htm

http://biblioteca.universia.net/html_bura/ficha/params/id/630908.html

http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias/19312

http://www.scribd.com/doc/8681282/Minerais-Que-Garantem-Vida-Longa-Zinco-Cobre-Magnesio-e-Ferro-Nutricao

http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/11/12/saude-geriatria/ion-cobre-carencia-e-excesso/

http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3228643-EI298,00.html

http://www.lenzafarm.com.br/alfa_lipoico.htm

http://drrafaelleao.site.med.br/index.asp?PageName=-C1cido-20alfalip-F3ico

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


Cibernética na Administração


(Abordagem Sistêmica)




Enviado por  em 21/10/2007
Produzido por Francinilson Silva - Seminário disciplina TGA prof. Samuel - Universidade Estadual do MA / UEMA









Clique no seguinte LINK:
http://www.youtube.com/watch?v=mEoIjn2uzFM 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Como a memória funciona e o que fazer para não perdê-la (Postado por Erick Oliveira)

Computadores do tamanho de um fio de cabelo. Cérebros eletrônicos programados para entender as emoções do usuário. Bem-vindo ao mundo de Jean Paul Jacob. Ele é gerente do Centro IBM de Pesquisas, um dos laboratórios de tecnologia mais avançados do mundo, localizado em Almadén, na Califórnia, Estados Unidos. Doutor em Matemática e Engenharia, Jacob recebe todo dia mais de setenta e-mails. Atende cerca de trinta telefonemas. Conversa com dezenas de pessoas. É comum também dar palestras em todo o mundo, ocasião em que entra em contato com centenas de colegas e alunos. Na Internet, lê jornais e revistas eletrônicos. Para receber e processar tantas informações, é justo imaginar que ele tenha uma memória tão precisa quanto a dos supercomputadores que projeta, certo? Nem tanto. “Eu costumo esquecer tudo”, diz Jacob.
Maria Fátima de Módena, 45 anos, dirige uma empresa que monta feiras e exposições pelo Brasil. Logo depois de acordar, começa a ler os jornais. “Uso muito as notícias no meu trabalho”, diz. Em seguida, senta-se à frente do computador e abre as dezenas de e-mails que a esperam no início do dia. No serviço, o celular toca o tempo todo. “A pia do estande está vazando.” “Deu curto no sistema elétrico.” “O equipamento ainda não chegou.” E Fátima sai correndo de um lado para outro, acionando colaboradores, tomando providências. Há três anos, a executiva começou a esquecer coisas. “Minha memória estava péssima. Tinha brancos constantemente. Não conseguia guardar nenhum telefone. Até o da minha própria casa às vezes eu esquecia.”
Estresse? Não só. A avalanche de informações, uma das características mais marcantes do mundo contemporâneo, aqui ou em qualquer outro país, atinge em cheio a nossa habilidade de recordar. As folhas de fax, os programas de televisão, as notícias do jornal e até as matérias das revistas (opa!) representam uma quantidade de dados que parece ser maior do que aquilo que podemos guardar. Os psicólogos até já inventaram um nome para isso: síndrome da fadiga da informação. “Quando estamos abarrotados de dados, fica difícil se concentrar naquilo que realmente precisamos lembrar mais tarde”, diz a psicóloga Cynthia Green, coordenadora do programa de aprimoramento da memória da Escola de Medicina de Mount Sinai, em Nova York. “É muito mais um problema de assimilação do que de esquecimento.”
A assimilação (é bom repetir a palavra, isso ajuda a lembrar) é a primeira etapa do processo de memorização. Inicialmente, as imagens, os diálogos, movimentos, cheiros etc. são captados pelos sentidos. Há um rearranjo no circuito cerebral, uma alteração na taxa de disparos químicos entre os neurônios –– as células que fazem a comunicação de dados no cérebro. Essa é a memória de curto prazo, que você usa rapidamente e esquece em seguida. Exemplo disso são os números de telefone, que vão para o espaço assim que você acaba de discá-los. Para que você possa acionar um dado uma ou duas semanas depois de tê-lo captado, é preciso convertê-lo em memória de longo prazo. Esse trabalho fica a cargo do hipocampo (veja o infográfico na página XX). É ele que entra em ação quando você decide quais as frases, os rostos e os números que devem ser arquivados para uso futuro. O hipocampo envia os dados para diferentes locais do córtex cerebral. Lá ocorre uma alteração química, dessa vez mais profunda, que fortalece as conversas entre as células da massa cinzenta. Quanto mais extensa e bem enraizada for a rede de neurônios, mais fácil será o acesso ao escaninho depois. “Mas, se você lida com a informação de maneira superficial –– surfando como um possesso pela Internet, por exemplo ––, não vai conseguir reter nada”, diz a psicóloga Cândida Camargo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Assim que as cenas, os sons, os cheiros etc. são integrados aos circuitos do cérebro, o hipocampo descansa e entra em cena o lobo frontal, estrutura responsável pelo processo de recordação. É ele que traz à tona todas as informações que foram devidamente estocadas. “O lobo frontal coordena as diversas memórias e é a parte do cérebro que o ser humano tem mais desenvolvida em relação aos animais”, diz o psicólogo Orlando Bueno, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No lobo frontal, que é tão complexo quanto frágil, a memória de curto prazo e a de longo prazo se completam para formar aquilo que chamamos de raciocínio. Esse processo de recuperação de dados é o que falhou no cérebro do presidente Fernando Henrique Cardoso quando, há alguns dias, na inauguração de uma fábrica da General Motors elogiou, por engano, a Ford – arquiinimiga da GM.
Além do excesso de informações, a falta de memória pode ser provocada também pela depressão, pela ansiedade e pelo estresse. Uma pessoa com tendência ao baixo-astral, por exemplo, acaba se preocupando mais com o que a está aborrecendo do que com os outros aspectos da vida. Um ansioso tem muita dificuldade para se deter por muito tempo no mesmo assunto. O estresse, além de atrapalhar a concentração, pode interferir de outras maneiras. Suspeita-se que ele encolha o hipocampo e libere hormônios que danificam as moléculas transportadoras de energia, deixando o cérebro sem força suficiente para operar. Sem contar que existe um parentesco estreito entre o estresse e a síndrome da fadiga da informação. “Uma das principais causas da tensão é o excesso de conteúdo. Em qualquer função de chefia, a informação é tanta que o sujeito acaba esgotado. É quando você acorda à noite pensando em trabalho”, diz o neurologista Iván Izquierdo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e um dos cientistas brasileiros mais prestigiados fora do país.
Os brancos de memória motivaram e motivam muitas experiências. No ano passado, cientistas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, começaram a desenvolver a mais promissora das drogas destinadas a ajudar a memória. Depois de alterar o código genético de alguns ratinhos, eles conseguiram elevar a quantidade de receptores de NMDA (um tipo de neurotransmissor, a substância responsável pela comunicação entre os neurônios). Quando esses receptores são repetidamente acionados, ocorrem reações químicas que produzem uma espécie de ponte entre os neurônios e ajudam a fixar a memória. Calcula-se que daqui a oito ou dez anos já esteja disponível no mercado uma droga inspirada nesses estudos. Ela será útil para pessoas que sofrem de doenças degenerativas do cérebro, como as diversas demências e o Alzheimer, que danificam os neurônios. Mas o mais interessante é que, segundo o neurologista Joseph Tsien, diretor da experiência, ela também será útil para pessoas saudáveis que experimentam leves esquecimentos.
Há outras novidades no horizonte. Além de estimular a comunicação entre os neurônios, os novos experimentos buscam induzir, com segurança, sua multiplicação. E isso é algo extremamente recente no mundo da ciência. Até dois anos atrás, era tido como certo que neurônios não se reproduziam. Quando um morria, não era substituído. Agora, está comprovado que a memória não é formada somente pelos neurônios que acompanham a pessoa desde o nascimento. “Mesmo na idade adulta é possível contar com uma reserva de novos neurônios”, diz o neurologista Paulo Bertolucci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Eles surgem a partir de células primordiais (ou células-tronco), que existem em todo o sistema nervoso e podem se especializar em atuar no interior do hipocampo. O desafio do momento é conseguir aumentar a produção dessas novas células cerebrais. “Supondo que possamos determinar os genes que ordenam essa multiplicação, seria só mudar essa chave”, diz. Algo que, de acordo com Bertolucci, só vai acontecer daqui a muitos anos. De todo modo, a possibilidade de aportar novos neurônios é uma ótima notícia para cérebros cansados de guerra, que já estão na situação de esquecer mais do que lembrar.
Claro, há riscos envolvidos. “O cérebro é o resultado de muitos anos de evolução do homem. Qualquer mudança artificialmente induzida poderia alterar esse equilíbrio”, diz Gilberto Xavier, neurofisiologista da USP. “Um crescimento dos receptores NMDA poderia levar a uma maior propensão à epilepsia, por exemplo.” É quase um curto-circuito. O sucesso da multiplicação dos neurônios depende basicamente de conseguir organizá-los. Do contrário, um crescimento desordenado poderia até virar um tumor.
Enquanto as pesquisas caminham, quem sofre com a perda de memória já achou alguns paliativos na farmácia. A droga mais popular é um medicamento fitoterápico de nome esquisito: o ginkgo biloba. O ginkgo é de uma família antiqüíssima de plantas, anterior até aos dinossauros. Para começar, ele deixa o sangue menos denso, fazendo-o correr mais rápido pelos vasos e levar mais energia e oxigênio para os neurônios. Além disso, o ginkgo degrada alguns inimigos do cérebro, como a enzima MAO, que atrapalha as comunicações cerebrais, e os radicais livres, que viajam pelo corpo todo depredando e envelhecendo os tecidos.
Em uma pesquisa da Unifesp feita este ano, 23 sexagenários –– todos saudáveis –– tomaram uma cápsula de ginkgo por dia durante seis meses e se submeteram a vários testes. Um deles consistia em repetir, em uma prancha com nove quadradinhos, a seqüência de posições demonstrada. Antes de usarem o remédio, conseguiam repetir em média 3,4 posições. Depois, foram capazes de acertar 5,4. “Eles demostraram uma melhora de memória, de atenção e de aprendizado”, diz a psicóloga Ruth Ferreira dos Santos, responsável pela pesquisa. Mas o ginkgo tem suas limitações. Ao deixar o sangue mais diluído, o poder de cicatrização do indivíduo diminui e podem surgir sangramento internos.
Na falta de medicamentos totalmente confiáveis, a prática de exercícios físicos aeróbicos (levantar pesos, atividade anaeróbica, não ajuda em nada) aparece como um dos meios mais garantidos de manter uma boa memória. “Eles ativam a circulação do sangue, reduzem o estresse e a ansiedade”, diz o professor de Educação Física Marco Túlio de Mello, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas Gerais. As atividades em grupo também aprimoram a coordenação motora, que pode ser entendida como a memória que usamos para movimentar o nosso corpo.
Uma dieta balanceada, com refeições na hora certa, também contribui. “Quem acorda de manhã, toma uma xícara de café e sai para a rua corre o risco de ter uma memória menos ativa até a hora do almoço”, diz Orlando Bueno, da Unifesp. É que a energia necessária ao bom funcionamento do cérebro chega por meio dos alimentos. Acredite ou não, o próprio ato de mastigar, por si só, ajuda. Em uma pesquisa realizada este ano com ratos de laboratório, cientistas da Universidade de Gifu, no Japão, descobriram que o movimento das mandíbulas conserva as lembranças por mais tempo. Não se sabe ainda como isso acontece, mas se especula que ele reduza o estresse e aumente a irrigação do cérebro.
Há também exercícios mentais que podem estimular a memória. Um deles é acrescentar outros significados ao que você quer lembrar –– uma forma simples de fortalecer as conexões entre os neurônios. Todo bom professor de cursinho pré-vestibular sabe que isso funciona. “Não dá mais para passar conhecimento de uma maneira tradicional. A gente tem que usar piada, contar histórias, músicas e tudo o mais para que os estudantes consigam guardar o conteúdo das aulas”, diz Paulo Figueiredo, professor de Biologia do Curso Objetivo, em Lavras, Minas Gerais, que, aliás, está lançando o seu segundo CD com letras de biologia. O... humm, como é mesmo o nome dele?, ah, é mesmo, hipocampo terá seu nome mais facilmente gravado depois que você souber que ele deriva de uma palavra latina que significa cavalo-marinho. O nome é esse porque o formato do hipocampo lembra o do bicho.
Também é recomendável que você assuma o comando da massa de informações com que lida. Como? Não deixando que ela controle você. “Determine quando você está mais disponível a receber novos dados e tente limitar a absorção de conhecimentos novos a horas específicas”, diz Cynthia Green (aquela médica do Mount Sinai, em Nova York, lembra-se?). A atarefada Fátima (consegue lembrar quem é?) aprendeu a lidar com isso e hoje desliga o celular quando não está trabalhando.
Outra dica: não deixe toda a responsabilidade de lembrar para os seus pobres neurônios. Alimente uma espécie de memória paralela. Liste as coisas que você tem a fazer. Use muito a agenda. O gerente de treinamento da Johnson & Johnson, Roberto Zardo, 45 anos, recebe uma média de cinqüenta e-mails por dia, assina dois jornais, três revistas e navega todo dia na rede. “A entrada de informação é brutal”, diz. Para resolver a questão, decidiu se aliar à tecnologia. Sua agenda eletrônica guarda 706 números de telefone e 467 datas de aniversário. É mais de um parabéns por dia. O pesquisador Jacob também tem seus truques. O primeiro é anotar praticamente tudo. Ele transforma em papeizinhos de recado todas as informações que vê ou ouve. Dá a elas um título (com indicações como “recomendo”, “preciso”) e depois passa para o computador, em que são organizadas em pastas de acordo com uma hierarquia de assuntos. “Eu não me lembro da informação, mas sim de onde ela está”, diz. Seus dados, compromissos, endereços e telefones se encontram todos em um disco rígido que ele carrega para todo lugar que vai e acopla diversos computadores. Até mesmo as conversas telefônicas podem ser incluídas nesse arquivo, pois ele grava cerca de vinte chamadas por dia. O recado é um só: tente liberar a cuca de tudo que puder ser armazenado em outro lugar.
Nas livrarias, existem vários livros cheios de promessas. Memória Turbinada, Como Ter uma Memória Superpoderosa. Coisas do tipo. Todos trazem exercícios que buscam ajudar a fixar os arquivos do passado. Alguns ensinam a construir associações tão infalíveis quanto estranhas. Considere, por exemplo, a seguinte frase: “Cavalo-marinho não é lobo mau.” Gravando-a, você poderá lembrar-se com mais facilidade de que tanto o hipocampo (cavalo-marinho) quanto o lobo frontal (lobo mau) estão relacionados ao armazenamento e à recuperação de informações, nessa ordem.
Bem, mesmo que você não aproveite tanto as dicas dos livros, saiba que o simples fato de ler já é um bom exercício para a memória. Ao ligar os novos conhecimentos ao que já sabe, você promove um caloroso diálogo entre seus neurônios, o que é fundamental para a construção das lembranças. Com tudo isso, temos certeza de que até os mínimos detalhes desta matéria ficarão para sempre na sua mente. Você vai se lembrar de que o ginkgo tem forma de cavalo-marinho, que o hipocampo pode se multiplicar e que os neurônios são vegetais que já existiam na época dos dinossauros.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012


Capacidade do cérebro diminui aos 45 anos

É o que revela estudo realizado por investigadores da University College de Londres

Por: Redacção / ACS  |  6- 1- 2012  17: 28


Cérebro - IOL Mãe

Investigadores da University College de Londres realizaram um estudo e descobriram uma quebra de 3,6 por cento na capacidade do cérebro em homens e mulheres com idades compreendidas entre os 45 e os 49 anos.

No estudo, foi avaliado o vocabulário, a memória e a compreensão de 7 mil homens e mulheres com idades entre os 45 e os 70 anos, noticia a BBC.

A Sociedade do Alzheimer considerou o estudo necessário uma vez que as alterações do cérebro podem ajudar a chegar a diagnósticos de demência.

O estudo pode trazer grandes inovações, já que pesquisas realizadas anteriormente indicam que o cérebro começa a perder capacidades a partir dos 60 anos.