sábado, 29 de agosto de 2015





Apesar de muito estudado, funcionamento do cérebro ainda é um mistério

Rosana Faria de Freitas
Do UOL, em São Paulo


  • Thinkstock
    O hemisfério esquerdo está mais ligado ao raciocínio lógico e à linguagem; o direito, às emoções O hemisfério esquerdo está mais ligado ao raciocínio lógico e à linguagem; o direito, às emoções
O cérebro, por toda a sua complexidade, é um órgão que vem sendo cada vez mais estudado. Mas a verdade é que ainda se sabe pouco sobre ele. Uma das teses mais propagadas sobre essa parte do corpo tem a ver com as funções de cada hemisfério. O direito é apontado como mais emocional, e o esquerdo, como racional. De acordo com o neurologista Leandro Teles, tal divisão é muito simplista.
"O cérebro é, sim, dividido em duas metades que, de fato, apresentam algumas funções diferentes. O hemisfério esquerdo está mais relacionado à linguagem, ao raciocínio lógico sequencial e à matemática, enquanto o direito é mais criativo, intuitivo, viso-espacial. Apesar dessa separação, ambos tratam aspectos racionais e emocionais. Aliás, sempre que entra em jogo um ângulo cognitivo complexo, o direito e esquerdo trabalham em franca parceria."
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Algumas pessoas têm áreas do cérebro mais desenvolvidas. VERDADE: os seres humanos são cognitivamente diferentes e, portanto, as áreas se desenvolvem particularmente em cada um. "Há sujeitos excelentes em matemática, outros são criativos, há os que se destacam na liderança ou no domínio da linguagem, e assim por diante. Os cérebros mostram sempre alguma individualidade que deveria ser explorada no encaixe profissional e no desenvolvimento individual", sugere o neurologista Leandro Teles. Exemplo: quando aprendemos uma segunda língua, o córtex cerebral na região vizinha à língua mãe é recrutado para sediar as atividades neurais que expressarão e entenderão o novo aprendizado, aumentando assim a área da palavra. A isso se chama neuroplasticidade. "Estudos sugerem que a rede sináptica é dinâmica durante todo o curso da vida. Assim, redes que não são estimuladas tendem a empobrecer e atrofiar. Por outro lado, as que são amplamente empregadas se hipertrofiam, ou seja, há novas conexões com outros neurônios e ligações mais robustas entre as partes do cérebro envolvidas no processamento da tarefa específica. Por isso, é importante usar o cérebro incansavelmente", explica a neurocientista Alessandra Gorgulho istockphoto
Para Antonio de Salles, chefe do Centro de Neurociências do Hospital do Coração e professor do Departamento de Neurociência da Universidade da Califórnia (EUA), tal divisão, de qualquer forma, foi confirmada em pesquisa recente feita no Canadá com dois pacientes que tiveram remoção de um dos hemisférios cerebrais para tratamento de epilepsia. pressões faciais. Já o outro, que perdeu o lado esquerdo, mostrava excelente capacidade de relacionamento e percepção de emoções, ao mesmo tempo em que

"O indivíduo com a parte direita retirada apresentava extrema dificuldade em avaliar emoções durante o convívio com outras pessoas, principalmente julgamento de expressões faciais. Já o outro, que perdeu o lado esquerdo, mostrava excelente capacidade de relacionamento e percepção de emoções, ao mesmo tempo em que não era hábil para se exprimir. Aliás, o envolvimento do hemisfério direito em emoções já está mais do que sacramentado em exames de ressonância magnética funcional, que revelam o aumento da demanda sanguínea em atividade."

Semana Nacional do Cérebro

  • Divulgação A Semana do Cérebro (Brain Awareness Week) é uma campanha global para divulgar os benefícios do estudo do cérebro. A cada ano, no mês de março, universidades, hospitais e outras organizações do mundo todo se unem durante uma semana para popularizar conhecimentos em neurociências. Coordenada pela Dana Alliance for Brain Initiatives e a European Dana Alliance for the Brain, a próxima Semana do Cérebro acontecerá entre 11 e 17 de Março de 2013.

    No Brasil, os primeiros eventos da Semana do Cérebro aconteceram em 2010 no Rio de Janeiro, por iniciativa de várias instituições e universidades. Em 2011, professores e pós-graduandos da USP de Ribeirão Preto abraçaram a causa com entusiasmo. Em 2012, pela primeira vez a Semana do Cérebro foi organizada nacionalmente, com apoio da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

    Como participar?

    A proposta é que cada grupo de interessados organize e apresente, durante a semana de 11 a 17 de Março de 2013, palestras, aulas públicas, exposições, exibições de filmes, etc., sempre sob a responsabilidade de cada proponente, utilizando os mais variados espaços: escolas, feiras, praças, teatros, shoppings, universidades, etc.

    Esta é a segunda vez que a Semana do Cérebro é articulada nacionalmente. No Brasil, a promoção é da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – SBNeC que chancelará e divulgará os eventos que forem cadastrados em dois sites:  no Blog da Semana Nacional do Cérebro e no site da DANA Foundation. Uma vez cadastrados, os eventos ficarão registrados na agenda para livre divulgação.

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não era hábil para se exprimir. Aliás, o envolvimento do hemisfério direito em emoções já está mais do que sacramentado em exames de ressonância magnética funcional, que revelam o aumento da demanda sanguínea em atividade."

Semana Nacional do Cérebro

  • Divulgação A Semana do Cérebro (Brain Awareness Week) é uma campanha global para divulgar os benefícios do estudo do cérebro. A cada ano, no mês de março, universidades, hospitais e outras organizações do mundo todo se unem durante uma semana para popularizar conhecimentos em neurociências. Coordenada pela Dana Alliance for Brain Initiatives e a European Dana Alliance for the Brain, a próxima Semana do Cérebro acontecerá entre 11 e 17 de Março de 2013.
    No Brasil, os primeiros eventos da Semana do Cérebro aconteceram em 2010 no Rio de Janeiro, por iniciativa de várias instituições e universidades. Em 2011, professores e pós-graduandos da USP de Ribeirão Preto abraçaram a causa com entusiasmo. Em 2012, pela primeira vez a Semana do Cérebro foi organizada nacionalmente, com apoio da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC).

    Como participar?

    A proposta é que cada grupo de interessados organize e apresente, durante a semana de 11 a 17 de Março de 2013, palestras, aulas públicas, exposições, exibições de filmes, etc., sempre sob a responsabilidade de cada proponente, utilizando os mais variados espaços: escolas, feiras, praças, teatros, shoppings, universidades, etc.

    Esta é a segunda vez que a Semana do Cérebro é articulada nacionalmente. No Brasil, a promoção é da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – SBNeC que chancelará e divulgará os eventos que forem cadastrados em dois sites:  no Blog da Semana Nacional do Cérebro e no site da DANA Foundation. Uma vez cadastrados, os eventos ficarão registrados na agenda para livre divulgação.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Seu cérebro trabalha muito mais em repouso do que você imagina

Paula Moura
Do UOL, em São Paulo (SP)
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  • Getty Images
A atividade realizada pelo cérebro enquanto se está descansando é bem mais ampla do que se imaginava, segundo um estudo alemão publicado recentemente na revista Science Advances. O chamado estado de "barulho de fundo", que é quando o cérebro está em uma espécie de "stand by", ajuda a manter as conexões dos neurônios, segundo o estudo.
Esse "barulho de fundo" é uma das atividades neurológicas mais interessantes do cérebro, pois não resulta diretamente de estímulos sensoriais ou da coordenação de movimentos, ou seja, é uma atividade que não tem ligação com variáveis externas. "É algo parecido com o que acontece quando nos desconectamos do mundo e sonhamos acordados", afirma Iain Stitt, que liderou o estudo no Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf, na Alemanha.
Os pesquisadores observaram o cérebro em repouso e captaram atividades neurais durante esse estado. Até aí, não há novidades. Por muito tempo já se sabia que o cérebro tinha atividade neural mesmo em repouso, mas pensava-se que essa ação era produto de flutuações randômicas nas redes de neurônios. No entanto, esta nova pesquisa leva a crer que o cérebro realiza uma organização de grande escala em suas redes durante este estado para prever ações futuras.
É como se ele "estudasse para a prova" durante o sono. Ele relembra as ações do dia e consegue criar padrões para ações futuras. "É uma forma de fortalecer as conexões entre os neurônios que codificam traços de comportamento para que possam ser repetidos no futuro", diz Stitt.
Outra conclusão do estudo é que, essa atividade dos neurônios durante o "barulho de fundo" do cérebro acontece não só no córtex (como se imaginava), como também em outra estrutura do cérebro chamada de colículo superior do mesencéfalo.
Em vez de usar a ressonância magnética para medir a ação dos neurônios, os cientistas usaram técnicas de eletrofisiologia, como colocar eletrodos diretamente no tecido cerebral – no caso, no de furões (seguindo a Lei de Proteção de Animais da Alemanha). O estudo foi realizado em animais anestesiados, cujo estado do cérebro é muito parecido ao do sono profundo.
Os resultados desse estudo sugerem que pesquisas feitas com eletrofisiologia também podem ser usadas para detectar quando a atividade neurológica de fundo não está funcionando normalmente, como no caso do autismo e da esquizofrenia. "Algumas pessoas com autismo têm dificuldade em modular os efeitos da atividade neurológica de fundo, o que torna complicado para eles lidarem com tarefas cognitivas. Na esquizofrenia, a atividade de fundo é ampliada e pode contribuir para a formação de alucinações". 
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O cérebro do homem é diferente do cérebro da mulher. VERDADE: isso acontece por questões anatômicas, hormonais e culturais. O do homem é maior, mais pesado e mais capacitado, de modo geral, para soluções pragmáticas, raciocínio lógico e habilidades motoras. Já o feminino se destaca em criatividade, intuição e questões sociais. "Não existe superioridade global de um modelo sobre o outro, mas tendências e limitações que os tornam diferentes", assegura o neurologista Leandro Teles. Antonio de Salles, chefe do Centro de Neurociências do Hospital do Coração, este é um tema controverso. "Do ponto de vista leigo, podemos dizer que homens e mulheres processam algumas informações de maneira distinta: elas são notórias por terem maior percepção de detalhes e desenvoltura com a linguagem, enquanto eles são menos detalhistas, porém mais diretos e sistemáticos na tomada de decisões, com facilidade para o raciocínio geométrico e abstrato. E claro que, mesmo com tais prevalências, há exceções. É bom deixar claro que essas particularidades, além de não implicarem em superioridade de um sexo sobre o outro, são necessárias na natureza para assegurar a sobrevivência da espécie" Leia mais Getty Images